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17/01/2006 Repúdio à reportagem "A solução é derrubar", da revista Veja
O Instituto Pólis recorreu às associadas da Abong, no Estado de São Paulo, com a intenção de formar uma rede de repúdio à revista Veja. O motivo são os conteúdos anti-jornalísticos publicados nessa revista, como os trazidos pelo texto "A solução é derrubar", de Camila Antunes.
Julgamos o texto preconceituoso e violador dos Direitos Humanos, quando trata a população pobre como um "lixo a ser eliminado para o progresso do centro". Também concordamos que essa espécie de texto não pode ser considerado jornalístico, por fazer um ataque gratuito (pelo menos, sem fins jornalísticos) ao Padre Júlio Lancelotti e à população pobre do centro da cidade, além de violar uma série de itens do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros.
Enumeramos algumas das violações ao Código, como exemplo:
1)Desrespeito ao direito à vida dos moradores de rua do centro – por incitar a retirada dessas pessoas do local, sem dar importância ao destino que terão;
2)Deixar de tratar com respeito todas as pessoas mencionadas nas informações divulgadas, chegando a generalizar os pobres do centro como “prostitutas, traficantes e contrabandistas”;
3)Neste texto, também fica evidente a sobreposição de valores humanos e sociais pelos interesses econômicos - a pobreza é colocada como a causa do “atraso” da região central e sua expulsão como a solução para o desenvolvimento da região.
O Instituto Pólis propõe que os cidadãos preocupados com o respeito aos Direitos Humanos e com a qualidade do jornalismo praticado em nosso país encaminhem à revista Veja uma carta de repúdio ao desserviço prestado por esse veículo à sociedade brasileira. Para isso basta escrever um e-mail para veja@abril.com.br com referência à matéria “A solução é derrubar”.
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