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24/10/2007
Seminário Internacional coloca questão da imigração na pauta de debate


O seminário internacional Práticas e Políticas para Imigrantes Internacionais: Leituras e Propostas, organizado pelo Miurbal (Observatório de Migrações Internacionais em Áreas Urbanas da América Latina), se mostrou um importante espaço de encontro entre pessoas que estudam e refletem sobre a temática da imigração. Realizado na sede do Instituto Pólis, a atividade reuniu cerca de 90 pessoas, entre intelectuais, estudantes, representantes de organizações sociais, da Pastoral do Migrante, costureiros bolivianos e integrantes da comissão de Justiça e Paz de São Paulo.

“O seminário foi fundamental para divulgar e pautar a questão de qual visibilidade querem os imigrantes”, afirmou a socióloga e técnica do Pólis Iara Rolnik Xavier. A atividade também agiu como um ponto de partida e articulação para outros eventos e ações.

Marcello Balbo, diretor do Miurbal, ressaltou durante a abertura do seminário, que o movimento da imigração internacional é um fenômeno inevitável e crescente nos paises do sul: em 2005, cerca de 191 milhões de pessoas viviam como imigrantes, o que representou um aumento de 23% com relação à 1990. Entre as estratégias de integração, Marcello defendeu práticas que tratem o imigrante como cidadão. "O objetivo é termos uma cidadania pluralista, uma sociedade democrática e justa".

Durante a abertura da atividade, Camilo Arraiga, da Universidade do Chile afirmou que a globalização mostra a emergência de um novo modelo que marca o surgimento de uma nova estrutura para as cidades. “Olhar a migração a partir de uma cidade global exige olhar modelos possíveis de integração”, defendeu.

O pesquisador do Núcleo de Estudos Populacionais (NEPO), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), de São Paulo, Sylvain Souchand, apresentou o estudo Características sócio-demográficas e distribuição espacial dos imigrantes bolivianos na cidade de São Paulo. Baseado no censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2000, o estudo serviu para contextualizar o processo de imigração dos bolivianos que vivem na capital paulista. A maioria trabalha na atividade têxtil, onde predomina a mão-de-obra masculina: 62%, enquanto 38% são mulheres. Cerca de 37% dos bolivianos trabalham mais de 60 horas por semana nessa área.

Além dos imigração entre os países do sul, o seminário também tratou sobre o fluxo de pessoas que vieram da Àfrica. "Coloco algumas inquietações aqui para demonstrar a relação da possibilidade de um projeto de imigração 'ideal' no Brasil. Isso se pauta na questão: Que Brasil queremos no futuro? O projeto maior dessas teses era fazer com que essa população, essa mancha negra, desaparecesse", afirmou Acácio Almeida, vice-coordenador e pesquisador da Casa das Áfricas, sobre o incentivo à imigração européia no Brasil, no fim do século 19.

O pesquisador comenta que a África é ainda retratada como um lugar pobre, miserável e inculta comparada com os padrões europeus e brasileiros. "O imigrante ideal precisa ter qualidade social, grau de civilização e capacidade de se fundir com a população brasileira. Segundo concepções etnocêntricas, os africanos sempre estão no final da fila", critica.
 
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